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Cerca de cem “skinheads” (cabeças-rapadas) da Frente Nacional (FN) que participaram numa manifestação contra as mortes de portugueses na África do Sul no passado sábado, em Lisboa, vieram de seguida para as Caldas da Rainha onde assistiram pela televisão ao jogo Benfica-Sporting e ao lançamento do novo CD da banda “Ódio”.
Esta banda é também ela composta por “skinheads” da zona de Lisboa e no seu reportório tem músicas onde se podem ouvir frases como “és um preto de merda”. No seu site também se encontram várias fotografias como a de um porco com a palavra judeu escrita no corpo.
O concerto teve lugar no Centro da Juventude das Caldas da Rainha e chegou a ser posto em causa, depois dos responsáveis terem percebido do que se tratava. No entanto, as autoridades policiais aconselharam a que o evento tivesse lugar para que não fossem criados conflitos devido ao seu cancelamento.
Os elementos da organização fizeram saber que já tinham um autocarro alugado para transportar para as Caldas admiradores desta corrente e que viriam para esta cidade, houvesse concerto ou não. Temendo que os “skinheads” fossem para outros locais provocar desacatos, o executivo da Câmara Municipal decidiu deixar que a iniciativa acontecesse, mas encerrando aquele espaço ao público em geral e retirando os computadores do Espaço Internet.
Os “skinheads” estiveram assim como que fechados numa festa privada dentro do Centro da Juventude apenas com alguns funcionários no local. Ao final da noite foram para o autocarro e partiram para Lisboa sem desacatos. A polícia reforçou o seu contingente nessa noite, tendo sido visível um maior número de carros patrulha nas ruas, mas não foi necessária a sua intervenção.
Bruno Letra, responsável pelo Centro da Juventude, disse à que só se apercebeu das ligações da banda Ódio aos grupos “skinheads” pouco tempo antes do concerto porque este tinha sido organizado pelos Exilim, uma banda caldense.
Mário Machado, um dos responsável da FN, contou ao nosso jornal que, como normalmente têm dificuldade em realizar alguma iniciativa por estarem associados à violência, tentam manter o máximo de segredo quando preparam alguma actividade. Por isso, explicou que pediu aos organizadores caldenses para não dizerem nada sobre o grupo que ali se iria juntar.
Quando os responsáveis do Centro de Juventude descobriram o que se iria passar chamaram a banda organizadora e estes acabaram por cancelar a sua actuação, mantendo-se, no entanto, a intenção deste grupo vir para as Caldas.
Uma equipa de reportagem da RTP acompanhou-os até ao Centro da Juventude e está a preparar um trabalho especial sobre este fenómeno em Portugal.
Movimento cresce nas Caldas
O protesto em Lisboa foi organizado pelo Partido Nacional Renovador e pela Frente Nacional. Foram colocadas 360 cruzes brancas no jardim da Alameda Afonso Henriques, perto do Instituto Superior Técnico, que representavam o número de mortes de emigrantes portugueses naquele país.
Nas Caldas da Rainha este movimento tem alguns seguidores e em Outubro alguns elementos colocaram uma faixa que dizia “Portugal aos Portugueses” na ponte pedonal em frente à escola D. João II. A faixa seria retirada no mesmo dia. Também já houve material de propaganda do PNR e da FN afixado pela cidade.
Em Peniche, na madrugada de 17 Abril de 2005 um grupo de “skinheads” terá sido, segundo relatos publicados na imprensa nacional, responsável por uma onda de violência que destruiu dois bares em Peniche no que foi considerado o ritual de iniciação para novos elementos do grupo. Os agressores atacaram funcionários e clientes, um dos quais teve de ser hospitalizado. Nas ruas pintaram inscrições nazis nas paredes de um bar e em duas habitações particulares.
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