 A maior parte das famílias é candidata à atribuição de habitação social |
A existência de vários acampamentos de ciganos no concelho de Peniche, a maioria a viver em barracas, leva a autarquia local a ponderar a montagem de um gabinete de recenseamento e acompanhamento e a encarar a presença desta etnia como um dos assuntos prioritários da agenda política, tendo em conta a situação de pobreza e de exclusão em que vivem todos estes agregados, expressa nas graves carências habitacionais sentidas.
Segundo uma estimativa aproximada do número de elementos da etnia cigana que permanecem no concelho, desenvolvida pelo Núcleo Local do Rendimento Social de Inserção e pelo serviço de Habitação Social da Câmara Municipal de Peniche. existem 23 agregados, que abrangem à volta de 100 pessoas. 14 agregados estão situados no centro da cidade (no acampamento da Fonte Boa), 5 estão a residir num bairro camarário (Bairro do Calvário) e os restantes 4 agregados na zona rural. Números que não são estáveis, tendo em conta as características nómadas que este tipo de população continua a preservar.
Os vereadores Francisco Salvador e Paulo Rodrigues recomendaram ao executivo camarário que, com carácter urgente, se promova um estudo de impacto social, com o objectivo de promover a “resolução definitiva do problema humano que representa o acampamento de um numeroso grupo de etnia cigana em Peniche”.
Os autarcas questionaram ainda se a comunidade de etnia cigana está a ser incluída no inquérito sobre carências habitacionais que está a ser promovido pelos técnicos municipais, de modo a também ser contemplada com a disponibilização de casas.
O presidente da Câmara, António José Correia, relatou haver orientação para montagem de um gabinete de recenseamento e acompanhamento da comunidade cigana, e que está a ser feito um estudo de caracterização das necessidades habitacionais sentidas no concelho, sendo que as medidas a conceber nesta área serão de resposta conjunta à população em geral, que inclui as famílias ciganas.
“A maior parte dos agregados tem processo constituído como candidatos à atribuição de habitação social. Só não são contempladas no estudo as famílias ciganas que já se encontram realojadas”, assegurou o edil.
Esta problemática está a ser acompanhada pelos serviços de acção social da autarquia, com o envolvimento de dois técnicos superiores – assistente social e sociólogo, e pretende-se que haja uma acção articulada entre as diversas instituições locais (segurança social, centro de emprego, escolas, entidades formadoras, centro de saúde e instituições de solidariedade), para encontrar respostas integradas.
Questionado pelo JORNAL DAS CALDAS como tem sido a convivência da população com a referida comunidade, se há relato de distúrbios e se a população se sente intimidada, António José Correia afirmou que “verifica-se existir uma relação de maior proximidade com a vizinhança, com comerciantes da zona, a quem recorrem para se abastecerem diariamente e também com alguns dos seus próprios clientes, no caso daqueles que têm venda ambulante”. Porém, “não se pode falar propriamente em convivência com a restante população mas mais em “coabitação pacífica”, uma vez que continua a constatar-se uma representação social negativa relativamente a esta etnia”.
No que respeita a relatos de relacionados com conflitos e distúrbios, o autarca sublinhou que “verifica-se que a existência dos mesmos ocorrem entre famílias e elementos da mesma etnia e não propriamente com a restante população”.
Francisco Gomes
2 comentário(s) a esta notícia. [mostrar/esconder comentários] Por Manuel [ip213.58.202.13] em 22-05-2006 17:42De que me adianta apresentar queixa à Câmara da construção clandestina de novas barracas? Nunca nada é feito. Coabito pacificamente. De que me serve queixar à PSP das armas de pressão de ar apontadas aos transeúntes e das pedras lançadas às viaturas? Apesar das queixas perdura. Coabito pacificamente. De que me serve queixar à EDP das "puxadas" clandestinas, se não há qualquer intervenção. Coabito pacificamente. O que adianta protestar contra os assaltos e tentativas de assaltos, se geralmente são perpetuados por inimputáveis menores? Coabito pacificamente. De que serve reclamar ao Ministério do Ambiente de queimadas de fios eléctricos, com fumos nauseabundos, para aproveitamente do cobre? Não obtenho resposta. Coabito pacificamente. O que fazer perante dezenas de cães, maltratados, esfomeados que por toda a zona abundam? Coabito pacificamente. De que adianta as insistências para limpezas da zonas, muitas vezes acedidas, se os resultados só perduram escassos meses. Coabito pacificamente. De que me serve queixar dos actuais ferros-velhos instalados em todo o acampamento? Será que ainda não os viram? Coabito pacificamente. A paz não é só a ausência de guerra, é também um estado de espírito. E duvido que nesta zona, alguém com o mínimo de sensibilidade possa viver em paz. Ainda que coabite pacificamente.....
Por maria [ip84.90.156.86] em 22-05-2006 14:42Este problema já devia ter sido resolvido há muito tempo. É desolador o aspecto do acampamento e arredores numa zona já central de uma cidade que se quer vocacionada para o turismo. O realojamento e subsequente limpeza do local é já para ontem. Assim, vejam lá se resolvem isto duma vez por todas. Não continuem com a política do "deixa andar". Quanto à coabitação pacífica tem dias que é "assim assim" e outros que nem por isso. Pelo menos, que não haja mais problemas. |
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