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Flávia Calçada // Edição de 23-07-2006

Bicentenário
Criada Comissão da Batalha do Vimeiro

Foi empossada a Comissão das Comemorações dos 200 anos da Batalha do Vimeiro, cujo objectivo é o de exaltar o feito histórico do exército português que, com colaboração das forças inglesas, comandadas pelo General Wellington, venceram a 21 de Agosto de 1808, a batalha travada no Vimeiro com as tropas francesas, comandadas pelo General Junot, pondo termo à primeira invasão napoleónica.

A Comissão é presidida pelo presidente da Câmara Municipal (CM), José Manuel Custódio, pelo vereador da cultura, José Tomé, pelo presidente da Junta de Freguesia do Vimeiro, Joaquim Loureiro, pelo presidente da Assembleia de Freguesia do Vimeiro, Eduardo Jorge, e por particulares da freguesia do Vimeiro: Paulo Loureiro, Salvador Ferreira, Jaime Marques, Rita Jordão e José Fernando Martins.

O elenco não reúne o consenso de várias personalidades, uma das quais é Rui Cipriano, conhecido historiador local, defende que a Comissão devia ser, desde já, alargada a elementos da freguesia de Santa Bárbara, já que o campo da batalha não se cingiu àquilo que é hoje a freguesia do Vimeiro, mas antes estendeu-se pelos vales hoje pertencentes à freguesia de Santa Barbara.

A este propósito, a Bancada da Coligação PSD/PP entregou na Assembleia Municipal uma recomendação. Esta Bancada chamou a atenção para o facto de não fazer parte desta Comissão Rui Cipriano e relembrou a existência de um protocolo assinado, no 180º aniversário, com o Instituto Alexandre Herculano, da Faculdade de Letras de Lisboa. Segundo Teresa Faria advertiu que “esta faculdade não deveria estar arredada destas comemorações”, devendo ser reactivado o protocolo estabelecido.

Neste sentido, os deputados do PSD/PP recomendaram à CM que dê “especial atenção a às comemorações” e propôs a inclusão de elementos da freguesia de Santa Bárbara naquele grupo de trabalho. A criação de uma Comissão de Honra “que inclua personalidades ligadas à investigação histórica das Universidades ou outras de reconhecido mérito”, bem como professores de história e do 1º ciclo do concelho.

A Junta de Freguesia do Vimeiro é quem tem estado a despoletar todo o trabalho em torno das futuras comemorações e, segundo o seu presidente, Joaquim Loureiro, “a ideia é alargar a uma comissão maior”. “Estamos empenhados em arranjar o máximo de pessoas com conhecimentos de história”, disse o autarca, para quem estas comemorações só fazem sentido se ganharem uma projecção nacional, para a qual pretende chamar a esta Comissão não só o Presidente da República, como outras tantas altas individualidades.

O programa não está ainda definido, mas poderá vir a ser feito em parceria com os concelhos vizinhos de Torres Vedras, onde desembarcaram em Porto Novo as tropas inglesas, e do Bombarral, onde ocorreu a Batalha da Roliça, a 19 de Agosto de 1808. Uma das ideias passa pela recriação histórica da Batalha, à semelhança do que aconteceu nas comemorações dos 190 anos.



Flávia Calçada


Batalha do Vimeiro vai ter Museu

Está em fase de elaboração o projecto para o futuro Museu da Batalha do Vimeiro, da responsabilidade do arquitecto Augusto Silva.
O espaço museológico vai ficar situado junto ao Monumento, inaugurado aquando das comemorações do primeiro centenário (1908), e é intenção da junta de Freguesia do Vimeiro vir a criar uma sala de estudo para as escolas e uma sala de exposição, com espólio alusivo ao acontecimento histórico.
Joaquim Loureiro considera que “há muitas pessoas a visitar o Vimeiro e que quando chegam ao Monumento não conhecem muito mais sobre a Batalha”.
Além do projecto, está a ser feita a recolha de espólio da Batalha junto da população, a juntar ao material já existente na Junta de Freguesia e que pode ser visto.
O trabalho tem estado a ser desenvolvido pelo historiador Rui Filipe, da Assembleia Distrital de Lisboa. Este especialista revelou que, sobretudo na lavoura dos campos agrícolas, “tem-se descoberto bastante material, nomeadamente balas usadas pelas espingardas da época, balas de canhão, botões das fardas e peças do uso comum dos soldados, como medalhas, moedas ou anéis”. “Há muito para investigar”, sustenta o historiador, defendendo que o estudo sobre a Batalha do Vimeiro deverá ser feito por constantes deslocações ao local onde se travou o combate.
A catalogação dos objectos e a recolha de histórias orais junto da população serão o passo seguinte até às comemorações de 2008, altura em que está prevista a inauguração do Museu.

Flávia Calçada



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