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Francisco Gomes // Edição de 29-12-2006

Berlengas
Mergulhador desaparecido no mar durante sete horas


Jacinto Neves, patrão do salva-vidas do ISN, disse ter encontrado a vítima "quase a morrer"

Um mergulhador desportivo amador de 52 anos foi resgatado na noite de 19 de Dezembro por elementos do Instituto de Socorros a Náufragos (ISN) depois de ter estado várias horas desaparecido no mar, junto às Berlengas, na costa de Peniche.

Acácio José Paulino foi encontrado em estado de hipotermia, após ter sido arrastado pelas fortes correntes, quando mergulhava na companhia de outros dois amigos, tendo sido transportado para o Hospital de Peniche e, de seguida, devido à sua débil condição física, para o Hospital Amadora-Sintra, sua área de residência, onde esteve em recuperação.

O incidente verificou-se por volta das 16 horas de dia 19, quando o homem andava a efectuar mergulho na zona do Farilhão, ilhéu situado a quatro quilómetros a norte das Berlengas. Quando regressou à superfície, foi apanhado pelas ondas e desapareceu, enquanto que um dos colegas conseguiu agarrar-se a uma das bóias de sinalização e saltar para o barco de recreio que os transportara, onde se encontrava o terceiro tripulante.

Os colegas ainda andaram à volta do ilhéu com a embarcação de recreio “Damoisa”, matriculada na capitania do Barreiro, mas não acharam o mergulhador. O salva-vidas do ISN da capitania do porto de Peniche foi então accionado para as buscas, que se prolongaram durante três horas até serem interrompidas, sem sucesso, ao início da noite, para reabastecimento.

Cerca das dez e meia da noite, o salva-vidas voltou ao local, depois de três biólogos que se estavam em trabalhos de investigação no Farilhão terem ouvido sinais de um apito de socorro que vinham de uma furna (gruta) conhecida por Pedra do Asno. Foi lá que seria descoberto Acácio Paulino, apresentando sinais de “bastante cansaço” e “princípios de hipotermia e desidratação”, revelou o capitão do porto de Peniche, comandante Guerreiro Cardoso.

Jacinto Neves, patrão do salva-vidas do ISN, disse ter-se deparado com a vítima "quase a morrer", considerando ter sido “um milagre” o homem ainda estar vivo, dado o estado “gelado” em que se encontrava após ter sido dado como desaparecido ao longo de cerca de sete horas, tendo passado a maior parte do tempo dentro de água.

Foi o apito que Acácio Paulino trazia no seu ‘kit’ de mergulho que o salvou, pois o seu pedido de socorro foi ouvido. O mergulhador tinha também consigo duas lanternas. Um faroleiro e um elemento da Reserva Natural da Berlenga deslocaram-se de bote para o local, mas foi o salva-vidas do ISN quem resgatou o mergulhador, que saltou da rocha onde se tinha abrigado para o barco. Foi agasalhado e recebeu os primeiros socorros já em terra, em Peniche, numa ambulância dos bombeiros.

No socorro ao mergulhador estiveram envolvidos cerca de quinze elementos da Polícia Marítima, ISN e Bombeiros, para além de um helicóptero da Força Aérea, que sobrevoou a zona. Um navio da Marinha atracado em Tróia (Setúbal) chegou a sair para ajudar nas operações, mas cancelou a viagem a meio porque o homem foi entretanto resgatado.

Os baixios do Farilhão, ilhéu das Berlengas, são apreciados pelos mergulhadores por na zona estarem submersos destroços de vários navios, para além da beleza paisagística subaquática, no que diz respeito à flora, fauna e arqueologia, entre cinco a quinze metros de profundidade.



Francisco Gomes

 

 



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