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Francisco Gomes // Edição de 08-12-2007

Caldas da Rainha
Maioria dos restaurantes não vai criar espaços para fumadores

A partir de 1 de Janeiro de 2008 entra em vigor a nova Lei do Tabaco, que vai restringir que se fume na grande maioria dos estabelecimentos de restauração, hotelaria e bebidas, obrigados a fazerem obras para colocação de sistemas de ventilação autónoma e para o exterior.

A lei obriga todos os que têm um estabelecimento com menos de cem metros quadrados, e optem por permitir o fumo, a obras que ascendem a vários milhares de euros, o que desmotiva os proprietários.

O mesmo sucede, de resto, nos estabelecimentos com mais de cem metros quadrados, onde ou não é permitido fumar, ou então terão de criar espaços próprios entre duas hipóteses: criar uma área física independente (30% do total) ou um espaço até 40% da área com a ventilação adequada, para além de que os funcionários que trabalhem onde seja permitido fumar não podem ultrapassar 30% do total de empregados.

O resultado é que os empresários já andam a solicitar o dístico de estabelecimento sem fumo, por acharem não ser compensador.

O Oeste Online recolheu algumas reacções a esta medida junto de alguns restaurantes da cidade das Caldas da Rainha.

O restaurante que Norberto Marcelino vai construir na Praça 5 de Outubro terá um espaço específico para fumadores. Informado por associações do sector da Lei do Tabaco, o gerente do restaurante Sabores d’Itália revelou que o novo estabelecimento, com mais de cem metros quadrados, terá uma sala, que poderá ser fechada, equipada com os sistemas de ventilação e exaustão de fumos exigidos pela nova legislação.

O empresário ainda ponderou se devia criar um espaço para fumadores, porque “a maioria dos clientes não fuma”. “O que incomoda mais não são os cigarros, mas os sim os charutos”, fez notar, admitindo que “há alguns clientes que se queixam, sobretudo os estrangeiros, que estão habituados a não haver fumo nos restaurantes, apesar de termos exaustão, embora não adaptada às exigências da nova lei”.

Norberto Marcelino acha que “os portugueses já estão sensibilizados para a mudança”, que “será uma questão de hábito”.

É por acreditar que os clientes acabarão por não se importarem com a proibição de fumar que Paulo Feliciano, proprietário da Casa Antero, uma antiga casa de pasto medalhada pela autarquia local, não tenciona instalar dispositivos que permitam o fumo. “Ainda temos um mês para pensar, mas a ideia que temos é aderir à proibição de fumar. Quem tiver vontade de fumar um cigarrinho depressa se desloca à rua”, declarou.

O comerciante confessou, no entanto, que “não sabemos se vai ser prejudicial e se o cliente que fuma vai deixar de vir”. Paulo Feliciano rejeitou a hipótese de haver quem cause distúrbios por não poder fumar. “A situação vai ser gerida como todas as outras interdições, como a proibição da venda de bebidas alcoólicas a menores ou a pessoas embriagadas”, manifestou.

Um dos clientes da Casa Antero, Dinis Pereira, que já foi fumador, contou que às refeições “tenho de fugir às pessoas que estão a fumar”, pelo que a nova legislação “é uma boa medida”.

Vitorina Silvestre, cliente do restaurante Pachá, mostrou-se satisfeita com as imposições a aplicar. “Não temos de andar a fumar o tabaco dos outros. Tenho problemas de alergias Já me senti mal, sofro imenso quando há alguém a fumar”, desabafou. “Os que são mesmo viciados não sei como vão resolver se não tiverem espaços próprios”, comentou.



Francisco Gomes


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