 Luís de Matos no espectáculo que deu em frente ao Mosteiro de Alcobaça |
Depois de ter assumido a responsabilidade pelo “fracasso” do espectáculo de Luís de Matos, que considera ter ficado “muito abaixo das expectativas”, o presidente da Câmara Municipal de Alcobaça admitiu recorrer aos tribunais, sob suspeita de que o contrato com o mágico não terá sido cumprido na totalidade.
Do espectáculo falta apenas pagar dez por cento do valor total e o dossier com a matéria já foi entregue ao assessor jurídico do Município, mas enquanto não há novidades as reacções não se fazem esperar. Por vários sites e blogs na Internet continuam a chegar reacções de quem lá esteve. O mesmo acontece no panorama político.
Num comunicado assinado pelo deputado municipal Adelino Granja, os bloquistas fazem saber que “num momento de crise a nível nacional e internacional, não aceitam que por um espectáculo tão pobre se tenha investido mais de 180 mil euros”. Associando-se aos “milhares de cidadãos” que se manifestaram contra o espectáculo, o BE afirma que “a eleição do Mosteiro de Alcobaça como uma das ‘7 Maravilhas Nacionais’ não merecia um espectáculo tão pobre como este”.
Mais contestatários foram os socialistas alcobacenses. Também em comunicado, o PS considera que “a culpa das expectativas criadas é da publicidade feita pela Câmara de Alcobaça, com o slogan que escolheu”, uma publicidade “no mínimo enganosa”. Por isso mesmo, e apontando que “afinal alguém sabia o que tinha contratado e o comunicado [da autarquia] não é mais que um acto hipócrita pretendendo sacudir a culpa”, dizem que “culpar o Luís de Matos e acusá-lo de ‘má fé’ não nos parece razoável, sem termos alguma conclusão por parte do assessor jurídico”.
Quanto ao custo total do espectáculo, o PS afirma que “este episódio é claramente indiciador da forma como este executivo gere e trata do dinheiro dos contribuintes”, revelando uma “falta de cuidado” que é “demonstrativa do estado das contas do Município”. Agora querem saber o que acontecerá caso o jurista conclua que o contrato não foi cumprido, entendendo ainda que tal como o comunicado da Câmara foi divulgado, o mesmo deverá acontecer com o parecer jurídico e afirmando que, se for caso disso, será pedido um inquérito para apurar responsabilidades.
Em resposta à promessa do presidente da Câmara de compensar os alcobacenses no próximo ano, os socialistas terminam dizendo que “compensação não é voltar a gastar uma pequena fortuna para gáudio e glória de alguns. Já sabemos que se correr bem falará para o povo, se correr mal vai embora e manda publicar um comunicado pedindo desculpa”.
Outra reacção que nos chegou foi a do deputado municipal José Marques Serralheiro. O independente, eleito nas listas do PS, entende que a compensação dos munícipes “pelo engano de que foram alvo” passa pela atribuição de uma verba de 180 mil euros “a repartir de forma igual pelas 18 freguesias do concelho de Alcobaça e destinada ao financiamento de actividades sociais e/ou culturais”.
Marques Serralheiro afirma mesmo que “esta é a forma mais honrosa para os autarcas de Alcobaça, nomeadamente para o seu executivo municipal, de disfarçar o problema do espectáculo do dia 6 de Julho, em frente ao Mosteiro, que nos envergonhou a nível local, regional e nacional”.
Por fim, também o vereador da CDU, Rogério Raimundo, diz que já viu espectáculos do Luís de Matos e “nunca pensou que pudesse haver o insucesso e o desagrado geral de milhares de pessoas”, subscrevendo o pedido de desculpas público da Câmara. “Apesar de ter estado contra a campanha ‘o truque é votar’ há um ano, apesar de ter estado contra o contrato dos 180 mil euros isso não significa que eu desejasse ou esperasse um insucesso com esta dimensão”.
Já perante as críticas de ter sido “piedoso” ou “estar vendido, ao apoiar a câmara PSD”, garante apenas que mantém a sua posição de “praticar princípios e valores”, o que não faz é “alinhar no ‘atirar pedras’ a quem errou, ou no ‘bater’ em quem fez autocrítica e pedido de desculpas público, quando todos os que lá foram esperavam, mais um grande espectáculo, resultante da carreira brilhante, com 100 por cento de sucesso, do mágico!”.
Não obstante, afirma que tem “defendido outro tipo de magia: a de quem trabalha, duramente, nas colectividades, nas empresas e nas suas terras de Alcobaça. Apostamos muito pouco nos nossos mágicos”.
Aquela que deveria ter sido “a maior metamorfose de todos os tempos” ameaça pôr a política alcobacense em ´pé de guerra´ quando falta pouco mais de um ano para as próximas eleições autárquicas.
Joana Fialho
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