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Edição de 29-10-2009

Opinião
Não basta morder o isco eleitoral


Nuno Garcia Várzea

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Nos últimos anos, venho chamando à atenção para a necessidade de dar uso às assembleias municipais também para fazer política.

Muitas das assembleias municipais do Oeste têm vindo a fechar-se sobre si mesmas nos últimos anos, asfixiando o debate político naquele que é o espaço próprio para o confronto saudável de ideias sobre um País que está de rastos, uma Região Oeste desunida e concelhos que se limitam a sobreviver esquecendo, por vezes, o mais importante: as pessoas.

Neste âmbito, a política não se faz apenas de críticas nem só de queixas, mas sobretudo de ideias, de alternativas. Podem assim, as assembleias municipais (AM) serem redireccionadas e a sua mensagem ser ainda mais abrangente, indo mais além, criando a esperança de que estas se aproximarão mais das pessoas. A política de proximidade também se faz a partir das AM.

Saímos agora de dois actos eleitorais quase consecutivos, foi preciso motivar os eleitores mas importa também motivar os munícipes nestes quatro anos que se seguem, demonstrar-lhes que a partir da política também se constrói, também se cria e também se evolui.

Fazer política é sobretudo, através das palavras e acções, actuar em prol dos cidadãos. Faça-se pois, política nesses fóruns e que seja permitido que essa política chegue ao exterior, apelando o munícipe anónimo ou se necessário, levando o debate até às freguesias, escolas, associações, instituições e outras organizações de cada concelho.

Os tempos mudaram, a forma das coisas é outra. A proximidade que os meios tecnológicos permitem é assombrosa. Hoje há a proliferação dos blogues, Hi5, Twitter, LinkedIn, Facebook, em qualquer lado se abrem fóruns e se discute o que quer que seja e as AM não podem continuar viradas para si mesmas.

Por estarmos no início de um novo ciclo, importa que as AM, que em breve tomarão posse, tenham presente que lhe cabe a difícil tarefa de recomeçar a desenvolver cultura de participação cívica e política, desmistificar preconceitos, aproximar a Assembleia das pessoas e assim devolver-lhes a política. Para tal, a responsabilidade recai sobre todos, desde as presidências de mesa, aos partidos e aos deputados.

É tamanha a urgência em criar as condições políticas e necessárias para que se extingam expressões que hoje são tristemente populares, como: - Só pensam neles; - Eu cá nunca votei; - Não percebo nem quero perceber de política; - Não me meto nisso; - Eles são todos iguais…

São expressões muito graves e urge agir em prol de um renovado papel que as assembleias municipais têm de passar a assumir, para bem dos concelhos, para bem do Oeste. “Não há pior analfabeto que o analfabeto político.” B. Brecht (1898-1956).

É preciso que cada vez mais e mais as pessoas Oiçam, Falem e Participem nos acontecimentos políticos, a começar pelos mais jovens se pensarmos também no futuro.

Que o fogo eleitoral não seja apenas eleitoralista, não se extinga nos Domingos das Eleições, mas tenha uma continuidade ao longo de cada mandato e se dê um passo definitivo para erradicar dos concelhos da região Oeste, da Nossa Região, a passividade, a apatia e a ignorância política.

A responsabilidade é de todos.
Participe mais, seja político!

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