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Joana Fialho // Edição de 03-02-2010

Linha do Oeste
Lançada petição que reclama requalificação da ferrovia


A petição junta representantes das diversas forças políticas e vai estar nas ruas e na Internet para recolher um mínimo de 4.000 assinaturas

A linha ferroviária do Oeste corre o risco de desaparecer”. O alerta, que nada tem de novo, volta agora a ser lançado na petição “Pela requalificação e modernização da infra-estrutura e pela introdução de um serviço ferroviário de qualidade na Linha do Oeste”, lançada em Leiria ao final da tarde do passado dia 26.

A iniciativa é de um grupo de cidadãos que se diz preocupado com o estado em que a ferrovia se encontra e conta já com o apoio de personalidades conhecidas de vários quadrantes políticos do distrito, professores, autarcas e empresários da região. No documento queixam-se que “a Linha do Oeste nunca se modernizou e a CP tem vindo a reduzir serviços, a pretexto da sua fraca utilização”.

Entre os principais problemas da infra-estrutura apontam “a degradação constante dos padrões da oferta, limitando a frequência a dois comboios/dia”, o que, consideram, “apenas tem contribuído para tornar esta linha cada vez mais obsoleta para passageiros, sendo apenas absolutamente residual nas mercadorias”.

Preocupados, também, com o impacto ambiental, nomeadamente com as emissões de gases com efeito de estufa por parte dos transportes, o grupo defende que “é inaceitável que se assista, silenciosamente, ao estrangulamento de uma linha ferroviária, que poderia e deveria ser uma alternativa às várias opções rodoviárias de qualidade, que as actuais auto-estradas A1 e A8 constituem”.

Por tudo isto, o que se pretende é a requalificação da infra-estrutura, o que passa pela “duplicação, electrificação e correcção de traçado, visando, no futuro, a circulação de comboios rápidos, inter-cidades, de passageiros e um serviço de mercadorias eficiente”.

O aumento da qualidade do serviço, “com adequados níveis de frequência e conforto” é outra intenção dos promotores, que reclamam a garantia de que “pelo menos entre Lisboa-Leiria, o tempo de viagem (directa) não ultrapasse os 70 minutos”, a uma velocidade média de 113 km/h. Por fim, pede-se “um serviço de transporte regular para as cidades, nomeadamente, Torres Vedras, Caldas da Rainha, Óbidos, Alcobaça, Marinha Grande, Leiria, Figueira da Foz”.

Entre a vasta lista de promotores o destaque vai para alguns dos deputados eleitos à Assembleia da República pelo círculo de Leiria – Assunção Cristas (CDS-PP), Teresa Morais (PSD), Paulo Pedrosa (PS) e Heitor de Sousa (BE) –, para o presidente do Turismo Leiria-Fátima, presidente da Comunidade Intermunicipal de Pinhal Litoral e da Câmara da Batalha, António Lucas, o vice-presidente da Comunidade Intermunicipal do Oeste e presidente da autarquia de Alcobaça, Paulo Inácio e o presidente da Câmara das Caldas da Rainha, Fernando Costa. Vários professores de pontos distintos do distrito de Leiria, advogados, médicos e deputados municipais compõem também a lista de cerca de meia centena de promotores.



Investimento prometido pelo Governo não chega

O que o Governo prometeu fazer não chega. É esta a ideia que fica do lançamento da petição, que contou com a presença cerca de três dezenas de pessoas.

Para David Catarino, “a polarização de Lisboa e do Norte suga a dinâmica desta região” numa altura em que é crucial olhar para a competitividade entre regiões. A zona servida pela Linha do Oeste deve, neste contexto, apostar na sua centralidade e nos recursos endógenos de que dispõe para se tornar competitiva.

Defendendo que “ou se investe na Linha do Oeste se extingue esta linha”, o presidente do Turismo de Leiria-Fátima acredita que “há milhões de pessoas disponíveis para se deslocarem à procura das diversas motivações que esta região tem”. Mas para que isso aconteça, há que apostar nas acessibilidades, e o caminho a seguir é a aposta na Linha do Oeste (independentemente de se avançar com o TGV) e nos transportes aéreos, com a criação de uma unidade aeroportuária na região. E, mesmo em tempos de crise, estes investimentos devem ser uma prioridade, até porque quando se quer, até há dinheiro”.

Já o advogado José Alves, que falou em representação da distrital de Leiria do PS, alertou que “é preciso galvanizar mais gente para obter mais apoios”, até porque “se a Sociedade Civil não se interessar por isto, Leiria não vai ter Linha do Oeste, até porque os fundos comunitários estão a acabar”.

Quem também esteve no lançamento da petição foi o professor universitário Moisés Espírito Santo, que destacou a importância de uma iniciativa como esta numa altura em que há tanta preocupação com os transportes ecológicos. Para o professor “o comboio é o transporte do futuro” e a Linha do Oeste tem uma importância acrescida porque “serve cidades prósperas”.

De acordo com Paulo Inácio, na recente visita do Governo de José Sócrates ao distrito de Leiria o ministro das Obras Públicas anunciou um investimento que “rondaria os 150 milhões de euros, o que não satisfaz minimamente as necessidades da linha”. O compromisso que existe “não é o que esperávamos”, afirma o autarca, principalmente se se tiver em conta a importância que a Linha do Oeste já teve, e deveria continuar a ter, na região. É que “no meio das grandes metrópoles existe um Portugal dinâmico”.

A petição vai estar pelas ruas da região na próxima semana e disponível para ser assinada na Internet. O objectivo é recolher um mínimo de quatro mil assinaturas, de forma que o documento seja discutido na Assembleia da República.



Joana Fialho

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