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Nos últimos dez anos é a maior apreensão de explosivos da ETA fora de Espanha, três vezes mais do que a quantidade inicialmente estimada. Tonelada e meia, revela o Ministério do Interior espanhol. A primeira estimativa da apreensão feita numa vivenda em Óbidos indicava meia tonelada, mas concluiu-se que ainda era mais, confirmando as manobras da organização separatista basca em solo nacional para criar uma base através da qual pudessem ser desencadeados ataques no país vizinho.
Distribuídos por bidões, malas e latas, foram descobertos na garagem da casa 1330 quilos de nitrato de amónio, 75 quilos de nitrato de potássio, 40 litros de ácido sulfúrico e outras quantidades de PETN (um dos mais poderosos explosivos conhecidos), pó de alumínio e nitrometano.
Foram também encontrados quatro detonadores, várias ferramentas para a fabricação de bombas, dois computadores portáteis, três telemóveis, diversos mapas de Portugal e Espanha com inscrições, e mapas do Norte de Portugal, de Madrid, Cádiz e de San Fernando sem anotações.
A cooperação ibérica com vista a aprofundar conhecimentos sobre as actividades dos ‘etarras’ em Portugal está a fornecer informações importantes ao Governo espanhol, que não se coíbe de divulgar mais pormenores da apreensão do que as próprias autoridades portuguesas.
Em Óbidos, prosseguem as investigações, coordenadas pela Unidade Nacional Contra-Terrorismo da Polícia Judiciária, à casa que desde Dezembro servia de esconderijo a dois membros da ETA, que continuam em parte incerta.
Uma pedreira a menos de 500 metros da vivenda serviu para o Centro de Inactivação de Explosivos da GNR destruir parte dos engenhos encontrados. Foram onze os rebentamentos realizados a uma profundidade de cerca de 80 metros, entre as nove e as onze da noite de sexta-feira, e na manhã de sábado. O material menos perigoso será destruído nos próximos dias.
Os rebentamentos foram rodeados de fortes medidas de segurança, tendo os moradores nas redondezas ficado privados algumas horas de permanecerem nas suas casas. Foi utilizado um robô para manipular os engenhos, transportados em cinco viaturas, três da GNR e duas descaracterizadas.
Francisco Gomes
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