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O Futuro dos Pavilhões
A propósito do famigerado futuro dos Pavilhões do Parque das Caldas da Rainha, não tenho a pretensão – como alguns – de, por fora, influenciar as decisões políticas, ou de, pelo contrário, estar sempre em harmonia com qualquer ideia, para mais tarde colher os frutos pessoais, qualquer que seja a decisão. Estas convicções que aqui registo são suportadas na leitura do edifício, bem como na experiência do que vejo em Portugal e fora, e como tal colocam em nível secundário as outras opções. Cabe a quem de direito integrá-las, ou não, nas suas decisões. E o futuro encarregar-se-á de lhe dar a razão devida ou imputar-lhe o erro.
O maior problema dos Pavilhões do Parque é o seu estado de perigosidade em termos estruturais, confirmado pela observação directa e pelos diferentes estudos especializados feitos nas últimas décadas. A juntar isto, a sua relevância como emblema histórico e arquitectónico da cidade e como edifício que sempre teve um papel funcional importante para o Estado, alojando diversos serviços públicos, faz dele um elemento a merecer protecção local e nacional, em termos da sua salvaguarda patrimonial e sentido de futuro. Contudo, tem sido matéria de discussão estéril a função para a qual se destina o seu futuro. Hotel, balneário, escola, sede de diversas associações, museu?
Seria importante, pois, que localmente se propusessem ao Governo a função, o programa e a intervenção a realizar, definidos e compatíveis com a sua singular espacialidade e com um projecto de dinamização à escala do centro urbano.
Já o disse em diferentes circunstâncias que um projecto para os Pavilhões do Parque não deve apenas partir de uma função preestabelecida, mas, essencialmente, das suas características formais. São estas que devem condicionar a proposta funcional. E porquê? Precisamente, pelas características invulgares do edifício, que devem ser preservadas, designadamente os amplos pés-direitos e outros singulares elementos do seu processo de construção original, os quais em vez de uma dificuldade de programa devem ser vistos como uma oportunidade de diferenciação. E, para provar esta ideia, lembro os exercícios que promovi, como vereador, junto da Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa (in Cidade Termal, 7, Dezembro de 2004). Também são relevantes os exemplos conhecidos de novas obras, no nosso e noutros países, que mantiveram uma espacialidade original, com programas funcionais pertinentes e marcando passo com a contemporaneidade da cultura arquitectónica.
Se para os Pavilhões for a de uma unidade de alojamento a função escolhida, cumprir-se-á, sensivelmente, o desígnio que deu origem à sua construção. Mas, se for outra, espero que sejam preservadas as mesmas características formais.
Um caso de sucesso internacional: os Residence Design Hotels
Nas Caldas, temos condições para que, nos Pavilhões do Parque, se projecte uma unidade hoteleira original, tanto pela singular arquitectura e extraordinária envolvente, como ainda pelo potencial de projecto em si mesmo, integrando as duas tipologias mais recentes da hotelaria internacional: os Residence Hotels e os Design Hotels.
A tipologia dos Residence Hotels é uma unidade habitacional integrada, com todos os serviços próprios de hotel. Funcionalmente, os seus clientes podem alojar-se durante temporadas curtas ou mais demoradas, consoante também a estada termal, se for caso disso, reservando para si áreas residenciais apoiadas pelos serviços próprios da hotelaria convencional. Trata-se de uma aposta posicionada para os mercados de lazer, neste caso incluindo áreas complementares às termas, como Spa, ginásio e restauração. Se a isto lhe juntarmos a componente de Design Hotels, temos uma oferta de valor acrescentado.
Estes hotéis são cada vez mais procurados, porque investir actualmente em projectos fora do comum é quase uma garantia de sucesso. E não se pense que pode ser um investimento acrescido, já que, para além do retorno pelo carácter diferenciador, se poderia envolver, na sua concepção em fase de projecto, por exemplo, o potencial criativo da ESAD, para integrar a equipa de arquitectos e engenheiros profissionais – os criadores da hospitabilidade – que um desejável concurso internacional consagraria como autores deste projecto.
Hotéis-Design no mundo há-os para todos os gostos (por exemplo, o Långholmen Hotell, em Estocolmo, o Internacional Design Hotel Lisboa, no Rossio, ou os exemplos apresentados em www.designhotels.com). Um Residence Design Hotel aplicado a um projecto de relançamento termal das Caldas da Rainha seria uma marca internacional, de diferença e autenticidade, pelas características tipológicas específicas, pelos novos caminhos de experimentação conceptual, pela procura de novos mercados e pelas apostas políticas, arquitectónicas e turísticas inovadoras em contexto de raros sinais positivos de contemporaneidade, como é o caso das Caldas da Rainha.
Um Design Hotel é uma obra total, contra a estandardização já pouco apelativa. Tem algo de exclusivo, no bom sentido, o que beneficia a procura e a promoção. Muito ao contrário da aberrante intervenção no antigo Grande Hotel Lisbonense (também, sobre este caso, veja-se a abordagem dos exercícios editados na referida revista Cidade Termal).
É que o investimento hoteleiro necessita de especializar a sua oferta, para além da tipologia em causa no projecto concreto dos Pavilhões do Parque, associada sobretudo ao termalismo, criando espaço dentro de um espaço.
Cumulativamente, acredita-se que toda a área do edifício possa ainda absorver outras funções, mas sempre umbilicais com a primeira. E que, à sua volta, se dê um sentido patrimonial ao Hospital Termal conciliado com alguma actividade balnear, se projecte um edifício de raiz para umas novas termas e se consolide um pensamento integrado para todo o centro urbano, em vez de projectos desligados como já se anuncia.
Seguramente, é justo que, de uma forma informada e esclarecida, se reivindiquem para as Caldas da Rainha novas abordagens no termalismo, na hotelaria e no urbanismo, que acompanhem a emergência de um mundo em mudança.
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