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Paulo Pinto // Edição de 05-07-2010

Óbidos
Autarquia vai produzir ginjinha

A autarquia de Óbidos prepara-se para produzir o famoso “Licor de Ginja de Óbidos”, muito apreciado há décadas por quem visita a “Vila Medieval”.

Segundo o vereador Humberto Marques, a produção de licor de ginja pela autarquia “esteve mesmo para ter início este ano”.

Humberto Marques justifica a medida com o “apoio aos produtores de ginja fruto, que foram incentivados pela autarquia nos últimos anos a plantar novos pomares, e, pela necessidade de criar uma economia de escala, de modo a internacionalizar a ginginha de Óbidos através da exportação”.

A colheita do ano passado foi a melhor de sempre, com cerca de 40 toneladas de ginja produzidas.

Este ano a colheita foi menor, e a autarquia aposta em incentivar o aumento da produção, apesar do aviso dos produtores de licor que não conseguem escoar o produto.

Dário Pimpão da empresário da Oppidum, produtora de licor, garante que “se houvesse dois anos seguidos de excelente produção não conseguia absorver a produção”.

Mas com mais área produzida os agricultores podem ver baixar os preços “perdendo na cadeia de valor o que a autarquia quer evitar”, sublinha o vereador de Óbidos.

Só nos últimos anos aumentou 2/3 a área de produção de ginja na região que “para o ano vai atingir os 40 hectares”.

Humberto Marques adianta que a autarquia quer “produzir licor de ginja o mais rápido possível e tal esteve mesmo para acontecer já este ano”.

Dário Pimpão, com várias décadas há frente de uma das três unidades de produção de ginjinha de Óbidos, considera que “a produção actual é equilibrada para a capacidade dos produtores” do famoso licor.

O empresário da Óppidum considera mesmo que “há a tentação do nicho de mercado”, mas vai avisando que, no futuro, “pode não haver capacidade de escoamento, nem da ginja fruto, nem do licor, para dar entrada a novos frutos na empresa”.

No Sobral da Lagoa, concelho de Óbidos, onde fomos encontrar Dário Pimpão, este ano foi de “bons frutos mas de escassa quantidade”.

O ano passado aproveitámos para comprar tudo e armazenar, porque já sabemos que a um ano de fartura vem um ano de pouco fruto, por isso, tenho a produção de licor garantida para uns dois anos”, explicou.

A crise não tem atingido este nicho de mercado da Ginja de Óbidos que terá registado uma pequena quebra não significativa de cerca de 1%.

Dário Pimpão alerta contudo para as “falsificações com o nome de licor de Ginja de Óbidos que estão a ser vendidos, mesmo dentro do concelho, aos turistas”, que não reconhecem ainda o sabor de verdadeiro licor artesanal.


 

 



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