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Francisco Gomes // Edição de 07-09-2000

Duas praias do Oeste permitem nudismo

O país tem apenas três praias oficialmente dedicadas a nudistas e um parque de campismo parcialmente naturista. Meco e Bela Vista (na zona de Setúbal) e a ilha de Tavira (no Algarve), são as praias consideradas oficiais, mas há mais perto de uma dúzia de areais onde se pratica o nudismo, que é tolerado pelos utentes, havendo dois casos na região Oeste, na praia do Salgado e na Praia da Gralha, entre São Martinho do Porto e a Nazaré.

O tema ainda é tabu para muita gente, esbarrando em resistências ou, no mínimo, no desinteresse de instituições e leis. Os empresários portugueses também ainda não revelaram apetência pelo sector.

É claro que a prática é muitas vezes olhada como hábito excêntrico e há mesmo quem julgue que há motivações escondidas para quem gosta de andar nu todo o dia, como se se tratasse de uma anormalidade, amoralidade ou perversão. Mas os naturistas estão convencidos de que são a educação e as convenções sociais que ensinam a vergonha da nudez própria e alheia, criando-se assim impedimentos a uma atitude de naturalidade perante o corpo.

As praias para nudistas em Portugal, sejam oficiais ou toleradas, não são muito publicitadas. Diz-se que são tão poucas que não vale a pena. Mas existe nesses locais uma sinalização natural, que mostra logo que nessas praias não se usa roupa. São os mirones.

Onde quer que se veja um tipo nas franjas do areal, longe do olhar dos outros, e munido de binóculos já se sabe que há nudistas por perto. Esta é, aliás, segundo o jornal "Público", a queixa mais frequente dos turistas estrangeiros: a falta de privacidade. Por isso, é também hábito desses turistas procurarem a época baixa e as praias recatadas, sobretudo na costa alentejana, onde o nudismo não é autorizado por lei, mas é tolerado. Trata-se de praias pequenas, sem estabelecimentos de apoio, por vezes de difícil acesso, onde se pode mais facilmente fugir ao olhar inoportuno dos mirones.

Data de 1994 a lei que define o regime da prática do naturismo e da criação de espaços de nudismo. É às assembleias municipais que cabe, mediante parecer da região de turismo, a autorização para utilização de espaços para o naturismo. A utilização de praias para a prática naturista pode ser requerida tanto pelas associações do sector como pelas autarquias e empresas turísticas e comerciais. Esses espaços, quando do domínio público, são de livre acesso, não sendo, por isso, obrigatório despir-se para lá entrar. A legislação prevê que, em cada município, possa autorizar-se a utilização naturista de uma praia do litoral marítimo e de uma praia fluvial, desde que estejam isoladas do exterior e se situem a mais de 1500 metros do mais próximo aglomerado urbano. Escolas, colónias de férias e espaços religiosos devem situar-se igualmente a uma distância superior a um quilómetro e meio das praias para nudismo.

Já no que concerne a campos naturistas, o seu acesso é reservado aos titulares de carta de naturista, mas a sua criação e abertura também depende apenas de licenciamento camarário. Do mesmo modo, as piscinas abertas ao público e as unidades hoteleiras podem ser exploradas em regime naturista, desde que estejam resguardadas de intrusão visual do exterior.

Comparando com outros hábitos, o do nudismo é quase residual no país. Enquanto em Espanha foram abertos mais de 15 centros naturistas só nos últimos cinco anos e em França existem mais de 200, em Portugal não há ainda uma estrutura específica para quem quer passar umas férias com a mala praticamente vazia de roupa.






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