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A estação de caminhos de ferro de Óbidos foi transformada em oficinas de azulejaria e olaria, provocando reacções de admiração e curiosidade daqueles que desembarcam de combóio e se deparam com um espaço de aprendizagem de duas das mais tradicionais artes da região.
Desactivada há cerca de dois anos, a estação de Óbidos funciona agora como apeadeiro, pelo que as instalações ficaram devolutas. Mercê um protocolo estabelecido entre a Câmara Municipal e a Refer, por um período renovável de cinco anos, tornou-se possível a criação de dois ateliers cerâmicos, com artesãos a trabalhar ao vivo, e dentro em breve serão ali leccionados cursos, a par da criação de espaços de lazer e educativos destinados aos alunos das escolas do concelho.
As duas oficinas ocupam a gare da estação, nomeadamente a zona onde eram as bilheteiras, o balcão e a sala de espera. Existe também um posto de turismo e o primeiro andar, onde costumavam morar funcionários da CP, serve agora de camarata à disposição da Câmara, que ali pode instalar alguns grupos musicais e outros artistas.
Trata-se de um espaço sossegado e inspirador, o que leva a que a acção esteja a ser bem sucedida, cativando o interesse de turistas e interessados na arte de moldar o barro, que têm possibilidade de ali produzir as suas próprias peças, que depois de acabadas lhes serão enviadas para os seus domicílios.
A "Misericórdia de Artes de Ofícios Tradicionais" - empresa de inserção social criada pela Santa Casa da Misericórdia de Óbidos - é a responsável pela oficina de azulejaria, onde se encontram formandas do Centro de Formação Protocolar para a Indústria Cerâmica das Caldas da Rainha, que se dedicam à reprodução de alguns azulejos das igrejas de Óbidos, que serão postos à venda na vila, como forma de combater a importação de peças, que tem vindo a aumentar.
A oficina de olaria é dirigida pelo ceramista José Correia, que vai dinamizar acções de apoio a escolas e de formação na área da cerâmica. Os cursos vão funcionar em horário pós-laboral, não serão subsidiados e têm como destinatários todos aqueles que pretendam iniciar-se nos segredos da arte de moldar o barro ou aperfeiçoar técnicas.
José Correia contou ao Correio da Manhã que "aparecem pessoas a perguntar como se faz uma peça e quando é que começam os cursos, vêm de combóio ou de carro, e acham engraçado o aproveitamento que está a ser dado à estação".
Com esta ocupação, a Refer vê valorizado um espaço seu que se encontrava quase abandonado e admite até repetir a acção noutras estações que estão desactivadas na Linha do Oeste, consoante o interesse das respectivas autarquias.
Com o objectivo de facilitar o acesso pedestre de todos aqueles que pretendam aceder a este espaço, que fica nas traseiras do castelo de Óbidos, a Câmara Municipal desmatou e recriou um antigo caminho traçado numa íngreme encosta, num trajecto de grande beleza paisagística.
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