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Edição de 11-04-2003

Opinião
Gestão dos Resíduos Sólidos Urbanos no Oeste - A recolha selectiva (IV)


Alexandra Azevedo

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Uma peça da política de gestão dos RSU no Oeste, assim como, em todo o território nacional, foi a colocação dos ecopontos, que são conjuntos de contentores para a recolha selectiva de papel e cartão (contentor azul), embalagens (contentor amarelo), vidro (contentor verde) e pilhas (recipiente vermelho).

O lixo tem que, cada vez mais, ser olhado como uma matéria-prima que interessa aproveitar, até porque o seu aproveitamento permite poupar recursos naturais e energia. Assim, por exemplo:
• ao reciclar uma lata de alumínio e uma garrafa de vidro poupa-se a energia necessária para uma lâmpada de 100W funcionar durante 100 horas e 4 horas, respectivamente;
• na produção de papel a partir de papel usado há uma redução para metade no consumo de energia, uma redução de 95% da poluição atmosférica e de 70% do consumo de água;
• se o mundo reciclasse metade do papel que consome, 40 mil quilómetros de terras seriam libertados do cultivo de árvores de crescimento rápido (eucaliptos) que abastecem a indústria do papel, contribuindo deste modo para a diminuição da erosão e o aumento da fauna e flora autóctones.

Portanto, a reciclagem não é uma questão menor dos nossos tempos, é uma questão de sobrevivência!

A primeira condição, por parte do cidadão, para apoiar a reciclagem é a de criar o hábito de separar os vários materiais em casa, evitando deste modo que se sujem e contaminem, impedido ou dificultando a reciclagem, que depois devem ser depositados em ecopontos ou recolhidos porta-a-porta.

A segunda condição é preferir produtos reciclados. Na realidade, por exemplo, o preço do papel reciclado é mais caro ou quanto muito é ao mesmo preço do papel virgem, porque tem pouca procura, ou seja, vende-se pouco.

Deve-se, então, ter um caixote ou saco para colocar as embalagens, um local para guardar as embalagens de vidro, um caixote de cartão, por exemplo, para armazenar papeis, revistas, jornais e caixas de cartão espalmadas, para depois ser mais fácil colocar estes materiais de forma adequada no ecoponto.

O sistema de recolha selectiva por ecopontos não tem dado grandes resultados, assim é desejável a implementação da recolha selectiva porta-a-porta, à semelhança do que se faz à décadas em muitos países mais desenvolvidos, o que os nossos muitos emigrantes podem testemunhar, sistema através do qual é facilitada a colaboração dos cidadãos que assim não têm de se deslocar distâncias consideráveis até aos ecopontos.

Num levantamento levado a cabo pela associação ambientalista Quercus, o sistema de recolha porta-a-porta abrange actualmente 10 concelhos, correspondendo a 2,5% da população, nestas autarquias consegue-se recolher 5 vezes mais material por habitante do que através dos ecopontos!

A nossa região não deve ficar indiferente a estes resultados, sendo imprescindível que se avance o mais rapidamente possível com este sistema, começando pelos grandes produtores (comerciantes, mercados, pequenas industrias que produzam resíduos equiparados aos RSU, restaurantes, hotéis, etc.). É pois urgente que se realize um inventário destes grandes produtores na região Oeste.

Um dos argumentos para não se adoptar em Portugal de forma generalizada a recolha selectiva porta-a-porta, é o seu elevado custos, mas ainda não são públicos estudos sobre os reais custos deste sistema. Pode-se, contudo, inferir que este sistema não é necessariamente mais caro.

De facto, em muitas localidades a recolha do lixo é diária, ou quase, bastava então estipular um dia por semana para a recolha de cada material (papeis e cartão, embalagens e vidro), usando exactamente os mesmos recursos humanos. Nas localidades de menores dimensões, é possível usar um carro de recolha com vários compartimentos para num único dia por semana fazer a recolha selectiva dos vários materiais simultaneamente.

No caso dos húmidos, ou da matéria orgânica, a recolha não deve ser muito espaçada, sob pena de começar a alterar-se, comprometendo o tratamento biológico a efectuar, pelo que, nas cidades em que a recolha é mais regular, não são necessárias grandes alterações.

A implementação da recolha selectiva porta-a-porta é essencialmente uma questão de organização! Quantos mais anos teremos de esperar para que a recolha selectiva porta-a-porta na nossa região seja uma realidade?

Recusamo-nos a aceitar que Portugal queira teimosamente continuar no seu fosso de atraso em relação aos países mais desenvolvidos, não beneficiando das suas lições e bons exemplos!



Bibliografia:
1- “Resíduos urbanos: Política de reutilização e reciclagem a marcar passo. Quercus aponta falhas e propõe soluções”, comunicado, Quercus – Centro de Informação de Resíduos, 29/1/2002.
2- “ 50 coisas simples que você pode fazer para salvar a terra”, The Earth Works Group, Círculo de Leitores, 1993


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